sábado, 14 de novembro de 2009

Poemas

Gente, hoje o dia está chuvoso e parei pra ler um pouco e ensinar alguma coisa de realmente proveitosa ao filho mais velho. Conversamos sobre matemática e suas frações, depois um pouco de história para explicar como algumas pessoas podiam ficar exiladas, passando da Ditadura à Democracia da história... Então resolvi postar aqui dois de alguns poemas que gosto desde a adolescência.
VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA (Manuel Bandeira)

"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada."
Canção do Exílio (Gonçalves Dias)
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Muitos podem me perguntar o que tem a ver esses poemas com emagrecimento? Nada e tudo. Nada no real sentido e tudo no sentido que quisermos lhes atribuir. Bem, primeiro que ler trás conhecimento, e conhecimento cultura. Mas também porque quando nos dedicamos um pouco a fazer outras coisas que não só pensar em emagrecer, a ansiedade diminui. E todos sabemos que ansiedade engorda!!
Já, dando uma nova interpretação ao poema Canção do Exílio, que não a real, podemos vê-lo na visão de uma pessoa gorda, que um dia já foi magra... (sentimento de exílio dentro de seu próprio corpo) Na obesidade triste e doente não há sabiás, não há primores, nem palmeiras, como se encontra em um corpo magro e saudável. E lendo esse poema sob essa perspectiva, dá mais vontade ainda de atingir nossos objetivos, já que é preciso ouvir o canto do Sabiá, e das "aves que aqui gorjeiam e não gorjeiam como lá".

2 comentários:

claudia disse...

Adorei a interpretação! Beijinho

Cinira disse...

Tay você é uma pessoa especial! adoraria conhecê-la pessoalmente! gosto muito do seu blog e adorei a figura que fez do exilio ! muito interessante !! beijo